Escrito em março de 2016

É tão engraçado como as pessoas tentam desesperadamente fazer com que as coisas que, obviamente não dão certo, funcionem né? Hoje, eu ainda sou uma pessoa muito presa dentro de mim sem querer dizer o que penso ou me preocupando sempre com o modo como outras pessoas vão entender os meus sentimentos e frustrações, etc. Posso atribuir isso às minhas experiências anteriores como mulher, ou ao fato de que cresci em uma sociedade que dizia que seria importante namorar e casar, ter filhos..

Enfim, eu até me achava superior a algumas outras meninas ao dizer: “Óbvio que não, você acha que eu quero casar agora e ser mãe, alimentar uma criança?” Algum tempo depois, com problemas internos e, na época, eu claramente precisava de alguma ajuda, eu engravidei. E de uma pessoa que talvez não fosse, nem de longe, o cara certo pra mim, pois discordávamos sobre tudo e ele tinha ideais tão machistas enraizados dentro dele que era até de difícil entendimento que uma mulher fosse dona do próprio corpo e cedesse apenas quando quisesse.

Perdi as contas de quantas vezes fui manipulada para fazer certas coisas e como isso ainda parecia que tinha sido ideia minha. Tola e boba, acreditando que, se fizesse tudo certinho ou como manda o figurino da vida tudo terminasse em um belo final feliz.

O que acontece na realidade é que, quando criamos expectativas irreais sobre certas áreas da vida, acabamos por nos decepcionar e ficamos frustrados pensando que talvez o problema seja conosco e não com o suposto companheiro que se recusa a ajudar a cuidar da filha porque está ocupado demais jogando videogame, ou dizendo que o que você sente é frescura e que não tem tempo de lidar com isso quando você está claramente sofrendo de depressão, ou jogando na sua cara que ele é o provedor da casa e portanto, você não tem o direito de pedir algo que esteja fora dos planos dele porque afinal, o dinheiro é dele e não seu.

Tirando tudo isso, ainda resta o ciume possessivo e doentio de todos os seus amigos da época da escola e a falta de vontade de fazer parte da sua família porque os amigos e familiares dele já bastam na vida de vocês.

E aí, em um belo dia em que você resolve mudar as coisas e conseguir resgatar um fio de pensamento e de personalidade que você tinha, você é a “diferente”, a “pessoa que não era quando começaram o relacionamento” e que se você continuar assim as coisas não vão pra frente. E isso só é um dos vários sinais de que o controle que ele exercia sobre você está começando a desaparecer.

O que eu quero dizer com tudo isso é que, se, das inúmeras vezes em que ouvi “súplicas” de que ele se tornaria uma pessoa melhor e que o relacionamento com certeza iria melhorar, eu tivesse perdoado, talvez eu não estivesse aqui para contar essa história.

Talvez as agressões se tornassem constantes e resultariam em um final, mas não um final feliz.

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